Análise: Mötley Crüe em São Paulo

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Nesta terça feira, 17 de Maio, o Mötley Crüe veio ao Brasil acompanhado dos também norte-americanos do Buckcherry para uma apresentação única na capital paulista.

Após anos de espera, a banda veio ao país pela primeira vez e revive o sentimento e o visual que habitava os anos 80. Chegando lá, o que vimos foram pessoas das mais variadas faixas etárias, desde os que nem haviam nascido quando o glam estava no auge, como eu, até os já quase senhores. A androgenia estava em alta, garotos usavam maquiagem pesada e cabelos cheios de laquê. Haviam acessórios de couro por todo lugar, além das típicas estampas animais. O público feminino compareceu em peso, com direito até a meninas vestidas de enfermeiras, de forma a homenagear as dançarinas da época de Dr. Feelgood.

A entrada foi tranquila, sem tumultos ou muita demora, apesar de o local estar bastante cheio. O Buckcherry entrou pontualmente às 21:30 ao som de “Dead” e teve uma recepção um tanto fria por parte do público que esperava ansioso pelo Crüe. A banda priorizou a execução de músicas do mais recente disco, “All Nightmare Long”, de 2010, entre as quais, além da faixa de abertura, foram tocadas a faixa que dá nome ao CD, “Oh My Lord”, a divertida “It’s a Party” e a belíssima balada “Sorry”.

Também foram apresentadas a igualmente bela “Everything”, “Slammin’”, “Lawless & Lulu”, “Lit Up”, “Rescue Me” e “Next 2 You”. O encerramento ficou por conta da provocante “Crazy Bitch”, uma das mais agitadas da noite. Mas o destaque mesmo ficou aos encargos de Josh Todd que, com seu corpo coberto por tatuagens, animou os presentes com suas danças e rebolados espalhafatosos.

O Buckcherry encerrou sua apresentação sem grandes erros de execução, mas as opiniões sobre a banda foram divergentes. Para alguns, mesmo com tantos anos de estrada, o grupo ainda se mostra carente de certa personalidade. Eu, particularmente, gostei da apresentação, apesar de ter desejado ouvir mais canções de álbuns passados.

A banda deixa o palco e as luzem se acendem. O nervosismo entre os espectadores fica cada vez mais evidente. Olhos aflitos, corpos rígidos, expectativa estampada no rosto dos fãs. Ainda que o Mötley não seja a banda mais técnica ou virtuosa que existe e às vezes seja até considerado extremamente clichê, eu mal podia me conter só de imaginar que dali a alguns minutos veria  uma das minhas bandas favoritas. Só o que importava era a diversão e isso Vince Neil, Nikki Sixx, Tommy Lee e Mick Mars sabem proporcionar como ninguém.

Luzes se apagam novamente, clima de total tensão e então finalmente o quarteto adentra o palco para causar histeria total e fazer até alguns marmanjos derramarem lágrimas após 30 anos de espera. O visual glam deixou de estar presente há muito tempo, mas o clima de nostalgia tomou conta do recinto àquela primeira audição. A faixa de abertura é “Wild Side”, do clássico álbum Girls, Girls, Girls, de 1987, que já foi o suficiente para levar todos a cantarem em um eufórico coro. A seguir veio a única música do mais recente álbum da banda, lançado em 2008: A pretensiosa “Saints Of Los Angeles”, que empresta o nome ao disco. A música completa o cenário de prédios montado no palco. A partir daí foram só clássicos, com direito a momentos memoráveis, como a saída de Tommy Lee da bateria para cumprimentar o público e entregar à plateia uma garrafa de uma famosa bebida, que foi disputada e passada pelas mãos de diversos fãs.

De 2008 para 1981: é a vez de “Live Wire”, do primeiro disco do Crüe, Too Fast For Love. Então temos as também divertidíssimas “Shout At The Devil ’97″, “Same Ol’ Situation (S.O.S.)” e “Primal Scream”, dos álbuns Generation Swine, Dr. Feelgood e Decade of Decadence, respectivamente, cujos refrãos foram cantados assiduamente. Uma leve pausa é feita para a única balada da apresentação: “Home Sweet Home”, de Theatre Of Pain, cuja introdução e encerramento foi executada no teclado por Tommy. Temos então “Don’t Go Away Mad (Just Go Away)” para levantar o público novamente. Ao fim da música, as luzes se voltam para o guitarrista Mick Mars executar seu solo e o demais integrantes deixam o palco. Com seus 60 anos recém completados, Mars, o mais velho do grupo, demonstra destreza e habilidade apesar de seus já conhecidos problemas de saúde que o impedem de fazer grandes esforços e movimentos muito bruscos. Com direito a um “Olê, olê, olê” acompanhado por palmas, o solo de Mick dá lugar a um dos maiores clássicos da banda: “Dr. Feelgood”, demonstrando uma energia digna do hard rock escrachado da década de 80.

Chega a vez de “Too Young To Fall In Love”, na qual Vince parece errar o tempo a música logo no começo e a novidade “Ten Seconds To Love”, ambas de Shout At The Devil, de 1983. Após, temos “Smokin’ In The Boys Room”, música de Brownsville Station que ganhou destaque na execução do Mötley. De cima pudemos ver fumaças discretas subindo por toda a pista com garotos acendendo seus cigarros para encenar a canção.

Soa o ronronar de motocicletas e logo sabemos que se trata de “Girls, Girls, Girls”, maior hino da fanfarrona história da banda. Este é o momento que vemos garotas e mais garotas despindo-se sobre os ombros dos rapazes e causando alvoroços, inclusive entre alguns seguranças da casa, que pediam – em falhas tentativas – para que as mesmas se comportassem.

A penúltima música do show é baseada em uma overdose sofrida pelo baixista Nikki SIxx: o também hino “Kickstart My Heart”. A banda deixa o palco e os pedidos de BIS são imediatos. O quarteto não demora a voltar e encerra o show em definitivo com “Looks That Kill”.

As impressões que ficam são de que o Mötley Crüe pode não ser uma banda atualmente na moda ou que agrade aos mais incrédulos céticos, mas que sabe como fazer uma festa e possui um público fiel e de idade variada. O grupo  ainda mostra disposição e vivacidade mesmo após tantos abusos cometidos nos últimos 30 anos e  depois de ter passado por crises e trocas de integrantes, agora parece ter sua união fortalecida, com  direito a demonstrações de afeto e cumprimentos durante o show.

Para os fãs, a primeira vez do Crüe no Brasil foi um prato cheio e, apesar desta que vos fala ter sentido muito a falta de “Too Fast For Love”, o setlist recheado de clássicos não desapontou. Ainda que, aparentemente, a banda tenha se decepcionado com o frio com o qual se depararam nesta noite de Maio e Vince Neil não seja lá um exímio vocalista, ficam só as boas memórias.

O Mötley Crüe deixou o Brasil e partiu para a Argentina, onde realizou dois shows e encerrou essa breve turnê sul-americana, da qual o Chile também fez parte.

Fica a torcida para que a dose seja repetida em breve. A diversão é garantida!

Setlist:

Buckcherry
Dead
Rescue Me
All Night Long
Everything
Oh My Lord
It’s a Party
Next 2 You
Slammin’
Lawless & Lulu
Sorry
Crazy Bitch
Lit Up

Mötley Crüe
Wild Side
Saints of Los Angeles
Live Wire
Shout at the Devil ’97
Same Ol’ Situation (S.O.S.)
Primal Scream
Home Sweet Home
Don’t Go Away Mad (Just Go Away)
Guitar Solo
Dr. Feelgood
Too Young to Fall in Love
Ten Seconds to Love
Smokin’ In The Boys Room
Girls, Girls, Girls
Kickstart My Heart
Bis: Looks That Kill

Fotos gentilmente cedidas por: Tayla, Claudio e Carolina.

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Comentários
  1. Ana disse em 22/05/2011 às 14:04

    Oloco, também não moro na mesma casa que você! IUHAIUAHUIA 

  2. Deh Castanho disse em 22/05/2011 às 11:45

    Oloco tu não tava no mesmo show que eu… O Vince cantou pra caralho!!!

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