Análise: Show do Iron Maiden no Morumbi
No sábado, dia 26 de Março, os britânicos do Iron Maiden estiveram tocando mais uma vez na cidade de São Paulo e deram início à passagem da turnê “The Final Frontier” pelo Brasil. O Show ocorreu no estádio do Morumbi e, como não poderia deixar de ser, arrastou uma multidão consigo. Vou registrar aqui as impressões de alguém que viu a donzela de aço em ação pela primeira vez e se encantou pela magnitude do espetáculo e fervor exalado pela plateia, além de ter mudado os conceitos que tinha do sexteto mais famoso do Reino Unido.
Nas proximidades do estádio já era possível ver de longe grandes grupos de vultos envoltos em preto. Vendo com mais nitidez, observávamos o simpático mascote Eddie estampado em infinitas camisetas, bandeiras, faixas e tudo o mais que se pode imaginar. A entrada ocorreu como fora previsto. Nas filas, algumas cheias, outras nem tanto. Contudo, não houve exaltação e tudo ocorreu rápido e tranquilamente.
Encaminhei-me para a arquibancada, onde era possível ter uma visão plena do estádio, pronta para esperar algumas horas até o início do show e abastecida com algumas guloseimas.
Quem faria a abertura eram os irmãos Cavalera, com o thrash metal poderoso do Cavalera Conspiracy. A banda, embora muito boa em minha opinião, pareceu não agradar em demasia os fãs do Maiden. Como representantes de uma época muito importante do metal nacional, esperava que Max e Iggor fossem tratados diferentemente da forma morna como foram recebidos. O Cavalera me pareceu ainda de difícil aceitação entre os brasileiros, mesmo entre os saudosistas fãs da dupla no antigo Sepultura. A última apresentação da banda no Brasil fora em Outubro do ano passado, no festival SWU. Max havia tocado em São Paulo pela última vez em 1998, com o Soulfly e, junto com seu irmão, somente em 1996, ainda com o Sepultura. Portanto, deveria tratar-se de uma data especial, mas, falta de efervescência à parte, a banda se apresentou muito bem. Destaque para Inflikted, do primeiro álbum do Cavalera, Killing Inside, single do novo Blunt Force Trauma, Territory e Troops Of Doom.
Fim do show de abertura, mais algum tempo de espera e mais gente chegando!
Finalmente os refletores do Morumbi se apagam e a expectativa se acende no público. Pontualmente o Iron Maiden entra em cena e leva todos a uma histeria impressionante. Se, por um lado, o setlist não agradou a alguns e deixou de lado clássicos como Run To The Hills e Man On The Edge, por outro, trouxe outras que não foram tocadas da última vez em que a banda esteve por aqui, como Dance of Death e Blood Brothers.
O show começa com Satellite 15… The Final Frontier, abertura do novo disco cujo refrão divertidíssimo levanta os presentes em todo o estádio e revela um palco ”estrelado”. Depois temos El Dorado e então dá – se início aos clássicos com 2 Minutes To Midnight, que demonstra toda a energia da banda no palco. The Talisman vem acompanhada de palmas do público e é cantada em coro por todo Morumbi. A seguir ouvimos Coming Home, belíssimo single do novo álbum. E então, um dos pontos altos do show é dado com Dance of Death, de arrepiar!
E o clímax, pelo menos para mim, segue com uma cena que eu sempre desejei presenciar: ver Bruce Dickinson tradicionalmente correr pelo palco com a bandeira do Reino Unido ao som de The Trooper. Mais uma vez a energia banda se mostra incrível! E para quase provocar um infarto nesta que vos fala, uma de minhas favoritas: The Wicker Man e a sincronia perfeita do quarteto de cordas do Maiden.
Bruce segue com um breve discurso, no qual anuncia que estão presentes mais de 50 mil pessoas e dedica a próxima canção. Blood Brothers é destinada a todas as tragédias que recentemente ocorreram no mundo. O vocalista fala sobre a catástrofe ambiental no Japão e sobre a luta pela democracia no Egito e na Líbia. O Morumbi vem abaixo, tamanha é a intensidade da música, um momento definitivamente marcante.
Pausa entre os clássicos para a também bela When The Wild Wind Blows, que, para mim, soou melhor do que o esperado. Chega a vez de The Evil That Men Do e finalmente temos o prazer de receber Eddie no palco. Durante o solo o mascote robô se junta ao sexteto, encarando a todos os que figuravam nas primeiras filas da plateia. Após a breve visita, chega a hora do maior clássico do Iron, aqueles do qual muitos fãs já devem estar mais que enjoados de ouvir: Fear Of The Dark. E é com a multidão cantando toda a música em um coro de arrepiar qualquer um, é que percebemos a magnitude e o poder de atração em massa de uma banda como o Iron Maiden.
A próxima é outra de minhas favoritas: Iron Maiden! E é com ela que vem a maior surpresa da noite. Um Eddie de OITO metros surge atrás do palco movendo a cabeça de um lado para o outro e irrompendo o público em euforia a cada movimento. The Number Of The Beast chega então para transformar o Morumbi num verdadeiro inferno, com vozes exaltadas e novamente um coro de tirar o fôlego.
Partimos para a reta final do show, com aquele gostinho de dever cumprido e também a tristeza por se despedir. Em Helloweed Be Thy Name, Bruce prova mais uma vez porque ainda pode ser considerado um dos melhores vocalistas do mundo, em uma atuação excepcional. Para finalizar o espetáculo, temos a ótima e divertida Running Free, num momento de grande interação entre público e banda. O Iron Maiden se despede e promete que esta não será a última vez!
Com o show encerrado, a multidão logo vai se dispersando do estádio e tomando as ruas próximas ao Morumbi. No geral, o dia teve um aspecto positivo e atendeu às expectativas. Eu que não me considerava uma fã assídua da donzela de aço, mas sempre achei que o Maiden é o tipo de banda que a gente deve ver pelo menos uma vez, finalmente entendi a paixão que movimenta tantos fãs por uma mesma causa. O Iron pode não ser a banda mais inovadora do mundo, mas o espetáculo vale cada centavo. Conquistada pelo que acabara de ver, deixei o estádio e fui correndo procurar uma camiseta da turnê para comprar e guardar como lembrança de uma surpresa tão agradável!
Setlist do Cavalera Conspiracy:
Warlord
Inflikted
Killing Inside
Torture
Thrasher
Sanctuary
Terrorize
Refuse/Resist (Sepultura cover)
Territory (Sepultura cover)
Wasting Away (Nailbomb cover)
The Doom Of All Fires
Troops of Doom (Sepultura cover)
Roots Bloody Roots (Sepultura cover)
Setlist do Iron Maiden:
Satellite 15… The Final Frontier
El Dorado
2 Minutes to Midnight
The Talisman
Coming Home
Dance of Death
The Trooper
The Wicker Man
Blood Brothers
When the Wild Wind Blows
The Evil That Men Do
Fear of the Dark
Iron Maiden
Encore:
The Number of the Beast
Hallowed Be Thy Name
Running Free
Concordo com vc. Esta foi a segunda vez que eu vi o Iron Maiden e quero ver de novo, e tantas vezes quantas eles vierem, é um show que com absoluta certeza vc não se arrepende de ver e de pagar. Eu tbm adorei o setlist, achei diferente, sem contar que eles são muito foda ao vivo, melhor até do que as próprias músicas de estúdio, qualquer música mediana de qualquer album iria ficar boa, mas essas são as palavras de uma super fã, então são meio suspeitas.. xD
Parabéns pela excelente matéria, é de uma qualidade inquestionável.
Confesso ter me emocionado com sua análise, eu estava na pista (no meu segundo show da donzela), mais até quem não viu o espetáculo conseguiria se sentir em meio ao Maracanã lotado tamanha fidelidade de detalhes aqui expostas.