Resenha: Deep Purple – Shades Of Deep Purple

Resenha: Deep Purple - Shades Of Deep Purple

Resolvi escrever sobre esse disco por que eu, que tinha preconceitos contra ele, ao ouvi-lo hoje pela segunda vez gostei muito do que ouvi, pois pude agora perceber que a primeira vez que o ouvi não estava pronto para assimilar sua sonoridade única.

O disco de estréia do Deep Purple merece destaque no mundo da música por “não parecer” Deep Purple. Ora, como assim?

Bom, é que primeiro é necessário se ambientar a época em que ele foi feito. Era 1968, e o Rock tal como o conhecemos ainda não havia sido criado. Hendrix havia despontado em Londres há pouco tempo, Jimmy Page ainda estava formando o Led Zeppelin, os Beatles ditavam as regras, e não havia nenhum padrão sobre o que era rock pesado ainda.

Então cinco cabeludos se uniram através de uma idéia no mínimo inusitada de Chris Curtis, na qual vários músicos talentosos se uniriam e revezariam em volta da sua bateria, como num carrosel (o nome do grupo seria Rondabout).

Mas Curtis saiu do grupo, e os restantes tinham uma gravação marcada e poucas músicas para compor o disco. Ora, e o que fazer agora? Em grupos comuns uma situação dessas seria desastrosa, mas esse não era um grupo comum.

De nome novo (Deep Purple, nome da canção favorita da avó do guitarrista Ritchie Blackmore) juntaram as composições prontas e fizeram releituras de músicas famosas na época, entrando em estúdio e gravando o primeiro álbum, Shades Of Deep Purple.

O álbum traz os moldes do que seria o Purple, mesmo estando absurdamente distante do som pelo qual o grupo seria conhecido. Os duetos de teclado e guitarra entre Ritchie Blackmore e John Lord já podem ser ouvidos, embora de forma mais contida, e a sessão rítmica da banda cumpre bem seu papel, sem excessos nem exibições pessoas, tocando o necessário (esse, aliás, que é um dos princípios do grupo).

O som tende para o Progressivo em alguns momentos, o que pode ser visto na faixa inicial, And The Adress, um instrumental de grandíssima qualidade, com os riff’s simples e gostosos de ouvir do grupo já aparecendo. Em seguida é a vez de Hush, música do artista Joe South, que tornou o Purple bastante popular nos EUA. É dançante, poderosa e contagiante. Uma bela escolha de cover, sem dúvida.

Mais uma original do grupo em One More Rainy Day, música mais lenta e embalada, que me lembrou um pouco os Beatles, e também Frank Zappa nos refrões. A música seguinte é dividida em duas partes, a) Prelude: Happiness e b) I’m So Glad, sendo a primeira uma introdução fantástica com base na música espanhola feita pela banda, e a segunda uma regravação de uma música do Cream. A união das duas ficou perfeita, muito harmoniosa, e parece que é uma música só.

Mandrake Root traz um estilo pulsante e contagiante, pesado e ao mesmo tempo plácida, realmente muito boa. A seguinte é uma grata surpresa para fãs dos Beatles. Trata-se da regravação da música Help, sucesso da banda na época, e que apresenta arranjos muito diferentes do original, e faz desse um trabalho supreendente e único.

Love Help Me talvez seja a música que mostra mais presença do som futuro da banda, com ritmo mais embalado e rápido, instrumental simples e preciso em todos os sentidos, e com destaque para a bateria agressiva de Ian Paice, que surpreende pela precisão.

E, para encerrar, uma das melhores regravações que já vi, pois apresenta arranjos extremamente diferentes do original, da música Hey Joe de Jimi Hendrix, iniciada e terminada por melodias espanholas, que dão um toque especial ao som dinâmico da faixa.

Com certeza um dos grandes momentos dos anos 60, o início de uma das maiores e mais bem sucedidas carreiras já feitas até hoje, que merece estudo. É um disco profundo, que tem um som diferente do habitual, e que deve ser ouvido com cuidado para ter sua proposta melhor dissecada.

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Comentários
  1. marcio silva de almeida disse em 26/05/2011 às 11:39

    “I’m So Glad” é musica de Skip James, o Cream só regravou. Este disco é um dos melhores albuns de estreia de todos os tempos

  2. Gabriel Anjos disse em 08/01/2011 às 11:01

    Belo álbum e boa resenha.
    Apenas uma correção: a Hey Joe não é de autoria de Jimi Hendrix (mas foi quem imortalizou a musica). ;-)

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