Resenha: Angra – Aqua
A arte da capa segue o que tem sido feito nos últimos álbuns, onde há a antítese de raios e fogo no lado esquerdo, o homem que chora ao centro, e no outro lado tem a água.
Retirando o CD da caixinha, atrás dele há as inscrições “Ego sum alpha et omega. Principium et finis. Ego sitienti de fonte aquae vivae gratis”, que é uma citação da Bíblia em latim, Apocalipse 21:6: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida”. Para o começo, está muito bom, pois é isso que o fã de Angra espera, logo uma banda que sempre trouxe pequenos “enigmas” em suas canções e discos.
Para a primeira faixa, prepararam uma bela introdução, assim como em todos os álbuns exceto “Fireworks” e “Aurora Consurgens”, de 1998 e 2006, respectivamente. A segunda faixa é “Arising Thunder”, que já havia sido publicada em seu site e MySpace, então não temos muitas surpresas até o momento. Bem power, para quem assistiu o show da banda ao lado do Sepultura neste último ano de 2009, pode se recordar que Ricardo Confessori não parecia estar 100% sintonizado, o que já não ocorre neste álbum. Continua com sua pegada característica, demonstrando que Aquiles Priester era sim um ótimo baterista, mas não era essencial.
A terceira faixa se chama “Awake From Darkness”, e logo de início – pode ser impressão minha – acredito que há certa influência brasileira no ritmo quebrado. Os riffs de guitarra são bastante puxados para a fase antiga do Angra, ainda com André Matos. Pareceu-me um pouco repetitiva e comprida, era possível manter a qualidade com maior concisão. Novamente, “Lease of Life” também uma música conhecida já que foi lançada como o segundo single, precedida por “Arising Thunder”. Seu começo é bastante melódico, assim como seu solo segue o padrão da banda: bastante técnico e bem executado. O refrão é muito belo, bastante interessante. Para a quinta música se chamar “The Rage of the Waters”, eu esperava uma grande paulada, mas até que é tranquila e acabou passando despercebida. É mediana, não acredito que vá ser a preferida de muita gente.
“Spirit of the Air” é bastante influenciada pelo metal progressivo que a banda tem apresentado nos últimos lançamentos, onde percebemos bastante quebra de ritmo, diferenças de peso, e novamente há a presença de violões de nylon e coral, duas marcas bastante relacionadas aos trabalhos deles. Lembrou-me “The Shadow Hunter”, faixa de número 7 no “The Temple of Shadows”. Realmente interessante, vale a pena ouvi-la novamente após uma rápida passada.
Há quem diga que o álbum “Aurora Consurgens” seja o mais pesado e rápido da banda, até que chega a introdução de “Hollow”, a sétima música. O que tem tudo para ser uma paulada, como havia dito antes, se tornou uma música bastante agradável. Afirmo que a percussão de Confessori novamente está irretocável, foi bastante feliz compondo essas linhas. A oitava canção, “Monster in Her Eyes”, me soou bastante letárgica até o refrão, e que mesmo após ele continuou dessa forma. Não merece tanta atenção, de início. “Weakness of a Man” é uma música mais tranquila, que de forma nenhuma expressa menos a banda. Assim como a sétima canção, essa me lembrou “Breaking Ties” do “Aurora Consurgens”. Bastante agradável, pode ser a minha preferida desse álbum em breve.
A derradeira: “Ashes”, que começou com piano e vocais de Edu Falaschi, e se transforma numa música completamente diferente. Esse álbum me surpreendeu, uma vez que eu não sabia o que esperar, pois “Rebirth”, “Temple of Shadows” e “Aurora Consurgens” foram álbuns muito diferentes entre si, saindo de uma linha mais leve e melódica, seguindo para o mais pesado e logo em seguida para o mais rápido. “Aqua” demonstrou ser a média desses três sons do Angra, onde Aquiles Priester não está fazendo tanta falta quando todos acreditamos que faria.