Análise: Dream Theater em São Paulo
Uma noite para recordar. Apenas isso define a apresentação do quinteto símbolo do metal progressivo, realizada neste 19/03 no Credicard Hall, em São Paulo. Nós estivemos lá, e vamos tentar encontrar palavras para descrever o evento.
Importante registrar a eficiência da Rock Tour, que realizou o transporte para o Credicard Hall saindo de Santos (SP) e possibilitou esta matéria. Se você é da Baixada Santista, litoral de São Paulo, e não sabe como ir ao show de sua banda preferida com segurança e baixo custo, visite o site oficial.
Antes mesmo de entrar no Credicard Hall, encontramos uma fila. Mas uma fila de verdade, que dava a volta no belo e organizado espaço de eventos da Credicard. Nela, uma legião de fãs, gente que vinha de várias partes do país, como um estudante que veio do Recife apenas para ver seus ídolos. A animação era visível, o movimento idem.
Os portões foram abertos com curto atraso e o show de abertura, dos americanos do Bigelf, começou em seguida. E, para isso, cabe uma crítica à organização. Nem todos os fãs conseguiram ver a maior parte da apresentação, a maioria ainda estava do lado de fora quando a banda subiu ao palco. E que apresentação, surpreendente para a maioria, já que o Bigelf era basicamente um grupo de desconhecidos no país. Era. Pela empolgação do público, deu pra perceber que a banda de Damon Fox assumiu a responsabilidade com segurança e agradou os exigentes fãs de rock progressivo. O ponto forte foi a rápida participação do baterista Mike Portnoy, do Dream Theater, que cantou a música “Money, It’s Pure Evil”.
Após quinze minutos, para a troca de instrumentos, estava para começar o grande momento. O Dream Theater estava atrás de uma cortina enorme e, quando ela caiu, os fãs foram à loucura com o clima sombrio da faixa de abertura, “A Nightmare to Remember”. Foram duas horas de show. Segue a setlist:
01 – A Nightmare to Remember
02 – A Rite of Passage
03 – Keyboard Solo/Guitar Solo
04 – Hollow Years
05 – Keyboard Solo
06 – Prophets of War
07 – Wither
08 – The Dance of Eternity
09 – One Last Time
10 – The Spirit Carries on
11 – Pull Me Under/Metropolis Medley
12 – The Count of Tuscany
Também são dignos de nota o belo solo do tecladista Jordan Rudess e o duelo de instrumentos que executou com o guitarrista John Petrucci. A voz de James LaBrie, inconfundível, foi perfeita do início ao fim. Porém, o destaque na presença de palco certamente foi o baterista, Portnoy, que usava os telões instalados no palco para brincar com o público presente. No final, ele ainda usou uma camiseta da seleção brasileira para mostrar seu amor ao país do futebol.
O show, uma verdadeira viagem emocional, provou mais uma vez que o Dream Theater é uma banda clássica, sem perder a criatividade e a simpatia. O sucesso do álbum mais recente, “Black Clouds & Silver Linings”, aclamado pela crítica e bem recebido pelos fãs, mostra que mesmo após quase 25 anos de carreira, continuam representando com excelência o complexo metal progressivo.
A empolgação estava clara entre os fãs ao término do espetáculo, vários deixavam o Credicard Hall emocionados. O engenheiro Igor de Lucca Dias (27) conversou conosco e saiu satisfeito: “Acho a banda sensacional e, como sempre, empolgou os fãs e estava impecável no palco.”
Igor, que também esteve no show anterior (2008), comparou as apresentações: “Achei o cenário mais simples, com menos detalhes, diferente da turnê do álbum Systematic Chaos, porém, a banda demonstrou a mesma energia e vontade em cima do palco e parece cada vez mais empolgada em tocar para o público brasileiro.”
Quando indagado se pretendia estar em provável próxima turnê, Igor foi rápido: “Com certeza, e torcendo para ser do tipo “An Evening with…”, onde não há banda de abertura e são apresentados dois sets, de aproximadamente 1h30, mais músicas para os fãs.”
De resto, basta aguardar o próximo retorno. Pelo menos, Portnoy garantiu: “nós voltaremos em breve”.